domingo, 23 de dezembro de 2018

Plêiades e Tautoplêiades


Plêiades e Tautoplêiades

Plêiades
 
Conjunto aglomerado de estrelas localizado na constelação de Touro, também conhecido por outros nomes: sete irmãs.

As nove estrelas mais brilhantes nas Plêiades têm os nomes das Sete Irmãs da Mitologia Grega: Asterope, Mérope, Electra, Celeno, Taigete, Maia e Dríope, junto com seus pais, Atlas e Pleione. Como filhas de Atlas, as híades eram irmãs das Plêiades, reconhecido também como Subarú no Japão e M45 pela classificação do Método Messier. Charles Messier mediu a posição do aglomerado e incluiu-a como M45 no seu catálogo de objetos semelhantes a cometas.


Imagem: capturada através do Google

Seis dessas estrelas podem ser vistas a olho nu. Pode-se calcular mais de 500 estrelas pertencentes a esse grupo estrelar.

As Plêiades podem ser vistas no Inverno do Hemisfério Norte e no verão do Hemisfério Sul.

O núcleo do aglomerado tem um raio de cerca de oito ano-luz e um raio da maré de cerca de 43 anos luz. O aglomerado inclui mais de 1.000 membros confirmados estatisticamente, embora este valor exclua estrelas binárias não resolvidas. É dominado por jovens e quentes estrelas azuis, sendo que 14 podem ser vistas a olho nu dependendo da observação e das condições locais. O arranjo das estrelas mais brilhantes é algo semelhante à Ursa Maior e Ursa Menor.

Plêiades em poemas

Septilha criada em 1999, por Craig Tigerman, é uma forma fixa com título obrigatório, constituído de apenas uma palavra seguido de sete versos iniciados pela mesma letra do título. Em contraponto a essa fixidez, versos livres.

O título (obrigatório) deve conter apenas uma palavra.

Os sete versos devem começar com a letra inicial do título.

Tautoplêiades

É a junção dos dois tipos poéticos abaixo: tautograma e plêiade.

Tautograma

É uma composição poética na qual TODAS as palavras iniciam pela mesma letra.

Plêiades

Criada em 1999, por Craig Tigerman, é uma forma fixa com título obrigatório, constituído de apenas uma palavra seguido de sete versos iniciados pela mesma letra do título. Em contraponto a essa fixidez, os versos serão livres.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Triolé (Triolet)

De origem francesa (Triolet), os poemas, provavelmente, datam do século XIII. Os primeiros Triolets eram devocionais escritos por Patrick Carey, um monge beneditino do século XVII. O poeta britânico Robert Bridges reintroduziu o Triolet para o idioma Inglês, onde desfrutou de um breve popularidade entre os poetas britânicos do século XIX. Embora alguns fossem empregados como veículo de temas leves ou humorísticos, Thomas Hardy reconheceu as possibilidades de melancolia e seriedade, se a repetição for habilmente utilizada para marcar uma mudança no significado das linhas repetidas. No Brasil destaca-se nos versos de Machado de Assis, Fontoura Xavier, Adelino Fontoura e outros.

Poema lírico, de forma fixa, em uma ou mais oitavas, com duas rimas entrelaçadas, em que o primeiro e o quarto versos são repetidos, e os dois primeiros se repetem no fim, como sétimo e oitavo versos, tornando assim os dísticos iniciais e finais idênticos. Essa repetição torna o poema leve e musical. Os versos são heptassílabos (sete sílabas métricas) ou octossílabos (oito sílabas métricas). Alguns teóricos afirmam que podem ocorrer mais sílabas métricas. Esquema rimático: ABaAabAB. As letras maiúsculas indicam os versos repetidos.

Exemplos:

Flor da Mocidade

Eu conheço a mais bela flor: [A]
És tu, rosa da mocidade, [B]
Nascida, aberta para o amor. [a]
Eu conheço a mais bela flor: [A]
Tem do céu a serena cor [a]
E o perfume da virgindade. [b]
Eu conheço a mais bela flor: [A]
És tu, rosa da mocidade. [B]

Vive às vezes na solidão,
Coma * filha da brisa agreste.
Teme acaso indiscreta mão;
Vive às vezes na solidão.
Poupa a raiva do furacão
Suas folhas de azul celeste.
Vive às vezes na solidão,
Como filha da brisa agreste.

Colhe-se antes que venha o mal,
Colhe-se antes que chegue o inverno;
Que a flor morta já nada val.
Colhe-se antes que venha o mal.
Quando a terra é mais jovial
Todo o bem nos parece eterno.
Colhe-se antes que venha o mal,
Colhe-se antes que chegue o inverno.

Machado de Assis em Falenas, 1870

Fera ferida

Cativa a dor que em mim crepita, [A]
Meu coração escravizado, [B]
Que a rebolar exangue, grita. [a]
Cativa a dor que em mim crepita, [A]
Ao tom total da m’ia desdita, [a]
No verso mau do bem amado. [b]
Cativa a dor que em mim crepita, [A]
Meu coração escravizado... [B]

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 9 de maio de 2013 – 20h12

SONIDO: minha criação poética

SONIDO: minha criação poética

O formato poético recebe o nome de SONIDO, numa alusão ao som, ao ruído e ao fragor poético, que se deverá alcançar com a sua concepção.

Conteúdo temático

Livre.

Estrutura formal

Cinco serão as estrofes: 4 estrofes de 4 versos e 1 dístico.

Primeira e segunda estrofes: versos livres, não muito longos, para facilitar o ritmo.

Terceira estrofe: o primeiro verso será o último verso da primeira estrofe; o segundo verso, será o terceiro da primeira estrofe; o terceiro verso, será o segundo da primeira estrofe; e o quarto verso será o primeiro verso da segunda estrofe.

Quarta estrofe: o primeiro verso será o último verso da segunda estrofe; o segundo verso, será o terceiro da segunda estrofe; o terceiro verso, será o segundo da segunda estrofe; e o quarto verso será o primeiro verso da primeira estrofe.

Quinta estrofe: o primeiro verso do dístico será o primeiro verso da segunda estrofe; o segundo verso será o quarto verso da primeira estrofe.

Métrica e ritmo

Os versos serão livres e não muito longos, para facilitar o ritmo - elemento imprescindível na configuração da estrutura melódica do formato em epígrafe.

Esquema rimático

Ocorrerá rima entre o quarto verso da primeira estrofe e o primeiro verso da segunda estrofe e, consequentemente, em razão da disposição dos versos, ocorrerá rima na terceira estrofe (entre primeiro e quarto versos) e entre os versos que perfazem o dístico.

Solicitação

Convoco os leitores a aventurarem-se na criação do Sonido e que os publiquem abaixo, nos espaços reservados aos comentários.


Burburinho em Dalí

Quando alcanço a paz
e no seio das estrelas me aninho,
os pássaros saltitam luz,
como se o final fosse logo ali.

Tal qual na pintura de Dalí
escorro mil olhos de mim
e nos fios dos cabelos do destino
entrelaço céu e mar.

Como se o final fosse logo ali,
os pássaros saltitam luz
e no seio das estrelas me aninho,
tal qual na pintura de Dalí.

Entrelaço céu e mar
e nos fios dos cabelos do destino
escorro mil olhos de mim
quando alcanço a paz.

Tal qual na pintura de Dalí,
como se o final fosse logo ali...

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Poema criado em 21 de novembro de 2012 – 17h17
http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/3997790
Teoria Literária formalizada em 2 de fevereiro de 2017 – 1h16

Texto científico

NOÇÕES CONCEITUAIS

Um texto científico é instrumento de divulgação de conhecimento. Destina-se ao universo de leitores específicos. Sua finalidade é apresentar ideias novas e originais à Ciência. Aos temas corriqueiros, sugere nova problematização. Consequentemente, exibirá análise por ângulo ou referencial ainda não explorados, carentes de pesquisa ou elucidação mais elaboradas. É necessário integrar, de forma diferenciada, conhecimentos até então postos isoladamente e de forma superficial.

ESTRUTURA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Eis as partes essenciais de um trabalho científico.

Resumo/Descritores
O resumo será elaborado em, no máximo, 150 palavras.

Considerações Iniciais
A introdução do texto científico é o começo do discurso, a enunciação da ideia-chave. Conterá uma visão global do tema e, necessariamente, a natureza do objeto em estudo, além das questões norteadoras, os objetivos da pesquisa, a justificativa da pesquisa e a metodologia utilizada na busca de solução do problema. Deve ser coerente com o desenvolvimento e com a conclusão e não deve conter nada que não seja abordado no decorrer do texto.

Desenvolvimento
O desenvolvimento compreende dois momentos: a explanação das ideias e sua demonstração. É, pois, a exposição, com requintados detalhes, do que foi abordado na introdução. Apresentado de forma descritiva, tem por finalidade expor e demonstrar a fundamentação lógica do texto científico. Neste contexto, formula a proposta, explica, discute e demonstra, num encadeamento que se dá no encalço da etapa final: a conclusão.

No processo de construção das ideias deve-se evitar generalizações (exemplo: “todo mundo sabe...”) e resistir à tentação de empregar terminologia com significado subjetivo. Deve-se escrever para expressar ideias, com variedade de expressões e evitar frases muito longas, entre outros.

O desenvolvimento, geralmente, é dividido em partes. Cada parte deve corresponder a um aspecto que tenha ligação com o todo que está sendo estudado, dando uma visão integrada e lógica que possibilite ao leitor situar-se em relação ao encadeamento das ideias.

A linguagem científica precisa ser observada, eliminando-se palavras supérfluas, pedantismos, gírias na argumentação, evitando-se ainda o uso de aumentativos, superlativos e diminutivos, o que prejudica a força do estilo.

Considerações finais
As considerações finais constituem-se na parte final do discurso, a síntese do que foi apreendido. Significa o fecho, o corolário do discurso. É a última oportunidade de convencimento. Daí, sua importância. Devem conter alguns elementos estruturais para que a culminância aqui especificada se efetive: recapitulação das conclusões a que o autor chegou em cada parte do desenvolvimento; análise das inferências, consequências a que o pesquisador atingiu ao longo de sua busca, ou seja, a conclusão propriamente dita do texto; propostas e sugestões para estudos posteriores.

É fundamental que a conclusão se relacione com os objetivos perseguidos e com as questões levantadas, cuidando o autor, no entanto, de não introduzir nenhum elemento novo, não discutido no corpo do trabalho.

As considerações finais são um regresso à introdução. Há um movimento circular. O leitor tem a impressão de estar diante de um sistema harmônico, conclusivo em si mesmo. É possível ler esta parte do trabalho e saber a ideia geral do autor, sem ler nenhuma parte isolada do trabalho. Deve-se, pois, transmitir de modo resumido, mas pleno de significado, tudo o que na obra tem maior relevo. Sendo a última parte do artigo científico é também o momento do autor posicionar-se integralmente. Deve assumir uma opinião e expor um resumo da sua posição pessoal.

Referências
A lista de referências é a parte final e essencial de qualquer trabalho científico. Sua finalidade é colocar à disposição do leitor indicativos precisos e detalhados a respeito de todas as fontes bibliográficas e/ou documentais utilizadas na elaboração da obra.

As referências dos documentos consultados e citados no corpo do trabalho devem ser organizadas de acordo com as normas da ABNT.

Sílvia M L Mota

Neologismo: um novo mundo no mundo das palavras

“Deixei cair, durante a conversa, meia dúzia de
neologismos. Foi como se estivesse a distribuir
chocolates a meninos gulosos. Nenhum demonstrou o
menor estranhamento em relação às palavras.
Começaram a servir-se delas logo ali, com propriedade e
inteligência, como se sempre as tivessem utilizado.”
(AGUALUSA, 2010, p. 218).

Noções conceituais

O neologismo configura um mundo irrestrito de possibilidades criativas. É a denominação oferecida a uma nova palavra, na língua que nasce da necessidade de designar novos objetos ou novos conceitos ligados às diversas áreas do conhecimento. Considero-os belos, quando inseridos ao contexto.

Por quê, a criação de neologismos?

Ao interrogar, em seu texto “Abertura da seção clínica”, sobre o que determina o uso que se faz de uma língua, Lacan assinala que as palavras do dicionário não são suficientes para dar conta do uso da língua e lança uma definição no mínimo enigmática sobre o objeto ao qual Saussure se debruça ao longo de seu ensino. Assim nos diz Lacan: “A língua é, qualquer que ela seja, chiclete. O inusitado é que ela guarda suas coisas” (LACAN, 2001 [1977], p. 7).

Processos de criação

Os neologismos são criados por meio de processos diversificados, entre esses: justaposição, aglutinação, prefixação, sufixação, abreviação, importação de vocábulos existentes em uma outra língua ou, ainda, através de um novo sentido oferecido a uma palavra pré-existente. Afirma Campos (2012, p. 1-2), que ao usarem o recurso do neologismo, os escritores: “[...] demonstram conhecer o sistema linguístico e se apoiam em sua sensibilidade e intuição de artífices e artesãos da palavra para se expressarem através de todos os meios que a língua lhes oferece, numa harmonia bem trabalhada para gerar expressividade, pois ali nada parece artificial ou gratuito.”

Alguns autores e as suas criações

Sabemos que autores diversos criaram neologismos, mas, se até mesmo para desconstruir é necessário saber os caminhos da construção, veja-se o valor da última.

Não abrolharam do nada as palavras inventadas por Guimarães Rosa. Não vieram ao mundo de forma imatura e nem a partir de enganos detectáveis do autor. Seu nascer respaldou-se em um conhecimento linguístico extraordinário. Guimarães Rosa cunhou novos termos ao desenterrar palavras do português arcaico e da fala do povo. A professora Nilce Sant'Anna Martins, por dez anos consecutivos estudou a sua obra, desvendando a composição e o significado de 8000 palavras. Utilizado na abertura de romance "Grande Sertão: Veredas", o mais famoso neologismo do nobre autor foi "nonada", que significa "coisa sem importância". A estudiosa descobriu que resulta da fusão de "non", do português arcaico, com a palavra "nada".

Por outros caminhos, o psicanalista Jacques Lacan desenvolveu, a partir de uma releitura de Freud, um fausto conceitual inovador e denso, em que se sobressaem uma sintaxe incomum e a vigorosa criação de neologismos, especialmente na última etapa do seu ensino (1971-1981). Entre esses, destaco cinco: lalangue, l’apparole, parlêtre, plus-de-jouir e sinthome. Essa produtividade neológica oferece consequências sobre a tradução da sua obra.

Poderia citar outros autores que se lançaram à criação de neologismos, mas o caráter deste texto é perfunctório e, portanto, fico por aqui.

A casuística

Pela casuística dos neologismos, relembro as explicações de alguns autores de que se algo foi escrito é porque existe e se existe certamente poderá justificar-se. Neste momento, há de se ressaltar, que as justificativas não se estabelecem para encobrir meros enganos associados à preguiça intelectual, mas de buscas conscientes. É possível aceitar o adágio brasileiro: “Atirei no que vi e acertei no que não vi?” Sim, claro que sim! Mas, na Literatura, o atirar primeiro não pode ser realizado sempre a esmo. Fosse assim, estimularíamos a irresponsabilidade. Seria ao mínimo bizarro, que na Literatura fosse diferente.

A intuição

O neologismo se projeta sobre a intuição, que não deve ser confundida com iluminação miraculosa. Também não se trata de reflexão, meditação ou introspecção. A intuição seria percepção ou a sabedoria experimentada, inconsciente, do que foi aprendido e elaborado. É, portanto, conexão entre teoria e experiência vivenciada. Burden (1985), expõe a impossibilidade de descrever verbalmente o significado, natureza e função da intuição, porque a intuição deve ser compreendida pela intuição. Ensina que a intuição é chamada por diferentes nomes e encarada através de diferentes ângulos, tais como: "algo que se manifesta com a ajuda do terceiro olho", "algo que vem de Deus", ou "algo que se manifesta através de pressentimentos e impressões instantâneas iniciais das pessoas." Lembra ainda, que, muitas vezes, no início do processo intuitivo, algumas pessoas revelam a capacidade de pressentir o conteúdo da correspondência, antes mesmo dela chegar, ou tomam conhecimento da aproximação de uma visita, embora esta não tenha sido anunciada. Mas, segundo a autora, apesar de parecerem surpreendentes e engraçadas, essas experiências não são importantes, a menos que nos levem aos recessos mais profundos da intuição. Além disso, são vistas pela autora como formas inferiores de percepção psíquica, que não nos fazem melhores ou mais úteis, assim como não nos fazem mais felizes. Castello de Almeida (2017), por sua vez, salienta que a intuição delirante é inopinada, original e enigmática; é fenômeno pleno que inunda o sujeito, revelando-lhe um cunho original: a língua fundamental, a palavra enigma, a palavra plena que diz muito a respeito do sujeito.

Do que se expõe, a intuição aparece-nos como um atributo inato e acessível ao ser humano. A erudição de nada vale sem a intuição e vice-versa. Por esse motivo, considero que o conceito da palavra neologismo transcende o conceito “intuitivo” que o falante possui sobre a palavra.

A permissividade

Compactuo com o aforismo de que "Ao escritor tudo pode", mas desde que o referido autor seja consciente da sua realização. Aliás, usar uma palavra conscientemente, fora do seu real significado, é oferecer-lhe um "sentido figurado" - não é neologismo. E, mesmo o "sentido figurado", deve efetivar-se por consciência e não por ignorância do real significado da palavra utilizada. Algumas pessoas confundem... e ficam bravas quando alertadas.

Até mesmo a nova linguagem inventada pelos jovens, quando se comunicam através dos computadores ou dos celulares, é compreendida e justificada pelos pedagogos e demais educadores. Reconhecem que os tempos são outros e que a síntese é imperativa. Na área poética, os poetrix são apreendidos como "poemetos da Internet" e fazem sucesso, justamente, porque os jovens do mundo atual evidenciam uma preguiça irrestrita de ler textos e/ou poemas extensos. As explicações serão aceitas, desde que não se alteiem somente para encobrir os nossos erros e que os fundamentos se afastem dos “achismos”, porque guardam esses uma subjetividade ilusória. Quando a farsa é detectada, arriscamo-nos ao escárnio.

Somos avaliados o tempo todo? Sim, somos. Se ostentamos o acordo social de criar e servir de exemplo às atuais e futuras gerações e, se o nosso trabalho se destaca no mundo sociocultural, maior a responsabilidade edificada.

Referências

AGUALUSA, José Eduardo. Milagrário pessoal: apologia das varandas, dos quintais e da língua portuguesa, seguida de uma breve refutação de morte. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2010.

ALMEIDA, Wilson Castello de. Elogio a Jacques Lacan. São Paulo: Summus, 2017.

BURDEN, V. O processo da intuição: uma psicologia da criatividade. Trad. SILVA, D. C. da.
São Paulo: Pensamento, 1985.

CAMPOS, Solange Maria Moreira de. Malabarismos lexicais na literatura: os neologismos visitam a sala de aula. Anais do SIELP, Uberlândia: EDUFU, v. 2, n. 1, 2012, p. 1-14. Instituto de Letras e Linguística. Disponível em: http://www.ileel.ufu.br/anaisdosielp/wp-content/uploads/2014/07/volume_2_artigo_277.pdf. Acesso em: 23 maio 2018.

O que é o Haikai?

Origem do haikai

Quando a escrita chinesa chegou ao Japão, aproximadamente no século VIII da nossa Era, em pleno esplendor da dinastia Tang, assentava-se em mais de 20 séculos de história. Nesse momento, o Japão saiu da pré-história e iniciou a produção da sua rica literatura. A poesia chinesa clássica teve grande influência na literatura japonesa e o estilo dos poetas chineses foi deveras imitado.

As origens do Haiku estão no Haikai, forma poética marcada, pois que geralmente seu conteúdo se baseava no cômico e no divertido. Com o passar do tempo, o Haikai associou-se a outro estilo de composição poética denominado Renga, formando-se assim uma derivação do Renga - o Haikai-no-Renga – uma sucessão de poemas Haikai, que mantinha seu estilo. O primeiro poema que iniciava essa sucessão se denominava Hokku.

Matsuó Bashô, maior nome da origem do gênero, separou o primeiro poema do Haikai-no-Renga - o Hokku - libertando-o do Renga e oferecendo-lhe uma personalização estética e expressiva. No entanto, Bashô também chamava de Haiku o Hokku e isso fez com que no início, o Hokku fosse o mesmo Haiku. Com o passar do tempo, poetas como Masaoka Shiki separaram substancialmente o Haiku do Hokku, conservando o último a veia cômica, enquanto o Haiku adquiria um caráter espiritual.

Haikai - Haijin - Haiga

O Haikai é uma das formas de poesia tradicional japonesa mais difundidas.

Haijin é o nome que se dá ao autor de um Haikai. São Haijin importantes da história do Japão: Matsuó Bashô, anteriormente referido, assim como Yosa Buson, Kobayashi Issa, Usuda Arô, Masaoka Shiki, Uejima Onitsura, Ritsurin Issekiro, Arakida Morikate, Yamasaki Sokan, Ihara Saikaku (também chamado Ibara Saikaku), entre outros.

Para acompanhar o Haikai, muitos poetas realizam uma pintura - Haiga - geralmente, sem muita perfeição. Matsuo Basho foi o primeiro poeta a adotar essa forma, que hoje domina as grandes esferas desse gênero poético.

Estrutura do haikai

O Haikai tradicional consta de 17 moras (unidade linguística de menor classificação do que a sílaba) dispostas em três versos de 5, 7 e 5 moras, sem rima. O Haikai apresenta-se sem título e não deve conter mais do que um sinal de pontuação. Exibe uma palavra chave denominada kigo - forte indício sobre uma determinada época do ano e que, segundo Edson Kenji Iura (2000), é a alma do haikai tradicional. Além disso, apresenta uma cesura, ou pausa verbal, conhecida como kire, que separa o Haikai em duas imagens contrastantes. Nesse pormenor, construído em parte única torna-se explicativo e óbvio, e aquele realizado em três partes consome-se em típico Haikai prateleira,

Características e requisitos do haikai

Muito influenciado pela filosofia e a estética do zen, seu estilo caracteriza-se pela naturalidade, a simplicidade (não o simplismo), a sutileza, a austeridade, a aparente simetria que sugere a liberdade e com essa a eternidade.

Um bom Haikai é aquele cujo autor, situando o transitório (kigo) como eixo do poema, é capaz de transmitir as diversas nuanças da sensação ou emoção produzidas por esses elementos transitórios em 17 sílabas métricas, de forma harmoniosa, leve e sutil; de tal modo que o conjunto assim apresentado, possibilita a quem o lê, o reacontecer do transitório. Sendo um poema que descreve e registra a cena vivenciada pelo autor, será sempre simples e direto. O tempo verbal será o presente e não o gerúndio.

Quanto à sonoridade, diferente do Haikai difundido no Brasil (como o de Guilherme de Almeida, por exemplo), o Haikai japonês não apresenta rima como a coincidência obrigatória dos sons no final dos versos, mas sim um jogo intenso de “[...] mini-harmonias acústicas sutis, com inversões, espelhismos, aliterações, repercussões, harmonias imitativas, onomatopeias, ecos” (LEMINSKI, 1983, p. 35).

No concernente ao plano gráfico, o Haikai japonês não é apresentado isolado numa página e dividido em três linhas horizontais, como ficou mais caracterizado no Brasil. Escrito a pincel, o poema consiste num “misto de ideograma chinês com silabário, sempre parte integrante de um diário ou de uma pintura” (LEMINSKI, 1983, p. 31). O exemplo abaixo é um dos Haikais mais conhecidos de Matsuó Bashô:

Haikai - Bashô (1686)
Fonte: BASHÔ, 2002

O velho tanque
Uma rã mergulha,
Barulho de água.
Tradução de Paulo Franchetti e Elza Doi

São requisitos do Haikai: a ausência do eu - onde o poeta procura não transparecer sua individualidade e nem suas emoções; a não moralidade - pois questões morais configuram prosa e não poesia; a solidão - enlevo de estar só consigo mesmo; a grata aceitação - o que nos torna mais felizes, independente das coisas que nos aconteçam; a não intelectualidade - com o uso de palavras simples e a prevalência de mais substantivos do que adjetivos; a contradição - por influência do espírito zen, à semelhança dos koan (anedotas), que servem para o mestre treinar seus discípulos; a concretude - alusão às coisas concretas - sem abstrações, metáforas, comparações ou personificações de animais ou seres inanimados; e a impessoalidade - não referir pessoas, a não ser que permitido expressamente em uma competição.

Temática abordada pelo haikai

A temática do Haikai gira em torno dos fenômenos naturais e cotidianos, da passagem do tempo e os seus efeitos nos seres humanos, da exposição de momentos ou movimentos simples da natureza – primavera ou verão, outono ou inverno, amanhecer, meio-dia, entardecer ou anoitecer, uma montanha ou um rochedo, a Lua ou o Sol, os cometas ou os planetas, as estrelas ou as nuvens, as águas do rio ou do mar, as fogueiras no quintal ou as chamas de um vulcão, uma flor ou um pássaro – elementos esses que fazem parte daquilo que se denomina kigo.

Objetivos do haikai

A arte do Haikai objetiva produzir emoção através do simples; dizer o mínimo, mostrar o mínimo e sugerir algo.

O haikai no Brasil

Durante o século XX, o Haikai entrou para a literatura brasileira. Foi estudado e praticado de forma intensa, sendo divulgado primeiramente por Afrânio Peixoto, em 1919, no prefácio do seu livro "Trovas populares brasileiras", em que dizia: “Os japoneses possuem uma forma elementar de arte, mais simples ainda que a nossa trova popular: é o haikai, palavra que nós ocidentais não sabemos traduzir senão com ênfase, é o epigrama lírico. São tercetos breves, versos de cinco, sete e cinco pés, ao todo dezessete sílabas. Nesses moldes vazam, entretanto, emoções, imagens, comparações, sugestões, suspiros, desejos, sonhos... de encantamento intraduzível.” (GOGA, 1988).

Na segunda metade do século, diversos livros, ensaios, artigos, dissertações, teses, traduções, além de uma ampla divulgação via web, tratavam de traçar o histórico e as características, tanto do Haikai quanto da sua cultura original, a japonesa. Dentre as publicações, destacam-se os ensaios “Haicai: homenagem à síntese” e “Visualidade e concisão na poesia japonesa” (1977), de Haroldo de Campos; “Matsuó Bashô: a lágrima do peixe” (1983), de Paulo Leminski; “O haicai no Brasil” (1988), de Hidekazu Masuda Goga; As traduções dos ensaios de Octavio Paz: “A poesia de Matsuó Bashô” e “A tradição do haiku”, feitas por Olga Savary (segunda edição de 1986). Quanto aos primeiros poetas haikaístas do Brasil, encontram-se, entre outros, Waldomiro Siqueira Júnior, o primeiro a publicar um livro exclusivo de Haikais, “Hai-kais”, de 1933 (NOVAIS, 1996, p. 9); o poeta paulista Jorge Fonseca Jr., com seu livro de haikais “Roteiro lírico”, de 1939 (IURA, 2000); e o modernista Luís Aranha, com seu livro “Cocktails”, escrito em 1921, porém inédito até 1984 (IURA, 2010). Mas, o poeta que se destaca no cenário brasileiro como praticante do Haikai é o também modernista Guilherme de Almeida, que lançou em 1947 o livro “Poesia vária”, com 43 Haikais, dentre os quais segue o exemplo:

Chuva de primavera

Vê como se atraem
nos fios os pingos frios!
E juntam-se. E caem.
(ALMEIDA, 2010)

Guilherme de Almeida e o haikai brasileiro

Guilherme de Almeida, é, nas palavras de Manuel Bandeira: “[...] o maior artista do verso em língua portuguesa.” Destaca-se no seu meio por transitar, sempre com desenvoltura, pelos meandros das diferentes formas poéticas. Inaugura, ainda, as primeiras trocas de informações sobre o Haiku e o Haikai entre os primeiros imigrantes e seus descendentes e os poetas nativos.

Três versos de dezessete sílabas métricas: o primeiro com cinco, o segundo com sete e o terceiro com cinco sílabas, além de uma rima interna no segundo verso, entre a segunda e a sétima sílabas, e outra ligando o primeiro ao terceiro verso, constituem a estrutura do Haikai lançado por Guilherme de Almeida e que ficou conhecido entre nós como haikai guilhermino ou haikai guilhermiano.

Eis o diagrama que o representa:
­_ _ _ _ X
_ O _ _ _ _ O
_ _ _ _ X

Haikai de Guilherme de Almeida:

Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se: "Agora"

A partir da sua autoridade pela seara da Literatura, Guilherme de Almeida recebe o cognome de Príncipe dos Poetas e diversos poetas assumem, com galhardia, o novo formato poético.
Referências

ALMEIDA, Guilherme de. Haicais completos. Disponível em: http://www.terebess.hu/english/haiku/almeida.html>;. Acesso em: 12 jun. 2016.

BASHÔ, Matsuó. O velho tanque (haicai). Caqui: Revista Brasileira de Haicai, 11 ago. 2002. Tradução: Paulo Franchetti e Elza Doi. Disponível em: http://www.kakinet.com/caqui/umhaiku.shtml>;. Acesso em: 12 jun. 2016.

NOVAIS, Carlos Augusto. O rigor da vida e o vigor do verso: o haikai na poética de Paulo Leminski. 1996. 179 f. Dissertação (Mestrado em Literatura Brasileira) – Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

ODA, Teruko. Haicai: a poesia do Kigo. In: Hai-kais ao sol. CASTRO, Débora Novaes de (Coord.). São Paulo: Livro Arte, 1995.

Literatura de Cordel

A LITERATURA DE CORDEL é poesia popular impressa em folhetos e vendida em feiras ou praças. Cultivada no Brasil até os dias atuais, origina-se em Portugal, onde por volta do séc. XVII popularizaram-se as folhas volantes (ou folhas soltas) que eram vendidas por cegos nas feiras, ruas, praças ou em romarias, presas a um cordel ou barbante, para facilitar suas exposição aos interessados. Nessas folhas de impressão rudimentar, registravam-se fatos históricos, poesia, cenas de teatro, anedotas ou novelas tradicionais, textos que eram memorizados e cantados pelos cegos que os vendiam.

Quadra
Estrofe de quatro versos. A quadra iniciou o cordel, mas hoje não é mais utilizada pelos cordelistas. Porém as estrofes de quatro versos ainda são muito utilizadas em outros estilos de poesia sertaneja, como a matuta, a caipira, a embolada, entre outros. A quadra é mais usada com sete sílabas. Obrigatoriamente tem que haver rima em dois versos (linhas). Cada poeta tem seu estilo. Um usa rimar a segunda com a quarta. Outro prefere rimar todas as linhas, alternando ou saltando. Pode ser a primeira com a terceira e a segunda com a quarta, ou a primeira com a quarta e a segunda com a terceira.

Sextilha
Estrofe ou estância de seis versos. Estrofe de seis versos de sete sílabas, com o segundo, o quarto e o sexto rimados; verso de seis pés, colcheia, repente. Estilo muito usado nas cantorias, onde os cantadores fazem alusão a qualquer tema ou evento e usando o ritmo de baião.

Septilha
Estrofe (rara) de sete versos; setena (de sete em sete). Na septilha ele usa o estilo de rimar a segunda linha com a quarta e a sétima e a quinta com a sexta, deixando livres a primeira e a terceira.

Oitava
Estrofe ou estância (grupo de versos que apresentam, comumente, sentido completo) de oito versos: oito-pés-em-quadrão. Oitavas-a-quadrão. Composta de oito versos, ou oito linhas ou duas quadras, com sete sílabas. A rima na oitava difere das outras. O poeta usa rimar a primeira com a segunda e terceira, a quarta com a quinta e oitava e a sexta com a sétima. Todas as estrofes são encerradas com o verso: Nos oito pés a quadrão. Esquema: AAABBCCB.

Quadrão
Oitava na poesia popular, cantada, na qual os três primeiros versos rimam entre si, o quarto com o oitavo, e o quinto, o sexto e o sétimo também entre si.

Décima
Estrofe de dez versos, com dez ou sete sílabas, cujo esquema rimático é, mais comumente, ABBAACCDDC, empregada sobretudo na glosa dos motes, conquanto se use igualmente nas pelejas e, com menos freqüência, no corpo dos romances. Geralmente nas pelejas é dado um mote para que os violeiros se desdobrem sobre o mesmo.

Galope à beira-mar
Estrofe de 10 versos hendecassílabos (que tem 11 sílabas), com o mesmo esquema rímico da décima clássica, e que finda com o verso "cantando galope na beira do mar" ou variações dele. Termina, sempre, com a palavra "mar". Às vezes, porém, o primeiro, o segundo, o quinto e o sexto versos da estrofe são heptassílabos, e o refrão é "meu galope à beira-mar". É considerado o mais difícil gênero da cantoria nordestina, obrigatoriamente tônicas as segunda, quinta, oitava e décima primeira sílabas.

Martelo
Estrofe composta de decassílabos, muito usada nos versos heróicos ou mais satíricos, nos desafios. Os martelos mais empregados são o gabinete e o agalopado. O martelo agalopado possui estrofe de dez versos decassílabos, de toada violenta, improvisada pelos cantadores sertanejos nos seus desafios. O martelo de seis pés, galope, possui estrofe de seis versos decassilábicos. Também se diz apenas agalopado.

Redondilha
Antigamente, quadra de versos de sete sílabas, na qual rimava o primeiro com o quarto e o segundo com o terceiro. Esquema: ABBA. Atualmente, verso de cinco ou de sete sílabas, respectivamente redondilha menor e redondilha maior.

Carretilha
Literatura popular brasileira - Décima de redondilhas menores rimadas na mesma disposição da décima clássica; miudinha, parcela, parcela-de-dez.

Plêiades e Tautoplêiades

Plêiades - conjunto aglomerado de estrelas localizado na constelação de Touro, também conhecido por outros nomes: sete irmãs.

As nove estrelas mais brilhantes nas Plêiades têm os nomes das Sete Irmãs da Mitologia Grega: Asterope, Mérope, Electra, Celeno, Taigete, Maia e Dríope, junto com seus pais, Atlas e Pleione. Como filhas de Atlas, as híades eram irmãs das Plêiades, reconhecido também como Subarú no Japão e M45 pela classificação do Método Messier. Charles Messier mediu a posição do aglomerado e incluiu-a como M45 no seu catálogo de objetos semelhantes a cometas.

Imagem: capturada através do Google

Seis dessas estrelas podem ser vistas a olho nu. Pode-se calcular mais de 500 estrelas pertencentes a esse grupo estrelar.

As Plêiades podem ser vistas no Inverno do Hemisfério Norte e no verão do Hemisfério Sul.

O núcleo do aglomerado tem um raio de cerca de oito ano-luz e um raio da maré de cerca de 43 anos luz. O aglomerado inclui mais de 1.000 membros confirmados estatisticamente, embora este valor exclua estrelas binárias não resolvidas. É dominado por jovens e quentes estrelas azuis, sendo que 14 podem ser vistas a olho nu dependendo da observação e das condições locais. O arranjo das estrelas mais brilhantes é algo semelhante à Ursa Maior e Ursa Menor.

Plêiades em poemas

Septilha criada em 1999, por Craig Tigerman, é uma forma fixa com título obrigatório, constituído de apenas uma palavra seguido de sete versos iniciados pela mesma letra do título. Em contraponto a essa fixidez, versos livres.
O título (obrigatório) deve conter apenas uma palavra.
Os sete versos devem começar com a letra inicial do título.

Tautoplêiades

É a junção dos dois tipos poéticos abaixo: tautograma e plêiade.

Tautograma
É uma composição poética na qual TODAS as palavras iniciam pela mesma letra.

Plêiades
Criada em 1999, por Craig Tigerman, é uma forma fixa com título obrigatório, constituído de apenas uma palavra seguido de sete versos iniciados pela mesma letra do título. Em contraponto a essa fixidez, os versos serão livres.

Biopoesia

Biopoesia

A poesia, de há muito, transcendeu a página impressa. Os computadores pessoais e a Internet expandiram as possibilidades e o alcance da expressão poética. Eduardo Kac propõe o uso da biotecnologia e de organismos vivos como um novo campo para a criação verbal. Deve-se explorar esse admirável mundo novo povoado por clones, quimeras e criaturas transgênicas, à procura de uma poesia in vivo. Essa é a BIOPOESIA, propriamente dita. Contudo, nos dias de hoje, chama-se BIOPOESIA a corrente artística e cultural Ecologista, Humanista e Revolucionária. Nessa seara, privilegiam-se os poemas e/ou textos poéticos que abarcam relevantes questões que colocam em risco a Vida no Planeta Terra, como o aquecimento global, as guerras expansionistas e a poluição ambiental, a morte de pessoas inocentes, a fome e a miséria, entre outras. Sua finalidade é defender a VIDA - humana ou não -, na contemporaneidade. Trata-se de poesia sobre a REALIDADE SOCIAL, onde as metáforas não encontram guarida. A BIOPOESIA rompe todos os esquemas retóricos e oníricos, para estruturar-se numa base sólida e objetiva. Converte-se na água que matará a sede da Humanidade sedenta de Paz, Amor, Solidariedade, Liberdade e Justiça. As abordagens devem ser UNIVERSAIS e não PARTICULARES.

Sílvia M L Mota

Aldravia e Metonímia

Teoria Literária da Aldravia
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz

Origem do termo aldravia

O termo aldravia deriva-se de aldrava - peça de metal presa à porta das casas, utilizada para chamar os moradores na chegada de visitantes. A partir dessa imagem, os criadores da Aldravia batem à porta dos poetas, chamando-os à prática de uma poesia que lhes permite ampla interpretação.

Noções conceituais

Aldravia é nova forma poética, que conquista espaço pelas vias do mundo virtual, com o qual se identifica, pelo jeito minimalista de ser. Poema sintético, fixa sua essência na retórica metonímica. Palavra de ordem: o máximo de poesia num mínimo de palavras.

Salienta J. B. Donadon-Leal: "O primeiro legado dos aldravistas foi a ideia de organização do mundo artístico, seja para produzi-lo, seja para compreendê-lo, a partir do conceito de metonímia: porções constitutivas das coisas podem representá-las, muito bem, no mundo das significações. Essa percepção abre espaço para o enfrentamento à concepção prepotente das metáforas que trazem consigo arroubos de substituições totalitárias. Ao mesmo tempo, a poesia metonímica busca demonstrar que a poeticidade pode estar na simplicidade. A leitura da poesia não pode ser uma tortura em busca de significações. Sentidos têm que saltar da forma poética com a facilidade com que se captam os significados na fala cotidiana. Tortura não combina com poesia. A única dor tolerável na poesia é a do prazer" (grifo nosso).

A nova forma poética prescinde da utilização de recursos visuais adicionais, nada obstante aceita-se experimentação que não complique a leitura do poema.

Estrutura

A Aldravia constitui-se numa linométrica de até 6 (seis) palavras-verso. Esse limite de palavras ocorre de forma aleatória, conquanto adstrita à criação de um poema que abarque significados a partir de um mínimo de palavras.

Características das Aldravias

Andreia Donadon-Leal, criadora do novo formato poético, ao lado de Gabriel Bicalho, J. B. Donadon-Leal e J. S. Ferreira, expõe diretrizes para a elaboração das Aldravias:

1- iniciar os versos com letras minúsculas. Em caso de nomes próprios, vale a opção do autor;

2- a divisão em palavras-versos já implica pausa; por isso, não é recomendada a utilização de pontuação. Além disso, a pontuação limita possíveis interpretações relativas a livres escolhas do leitor em deslizar pausas para criar novos sentidos.

3- as pontuações de interrogação ou de exclamação podem ser utilizadas, se a sintaxe da Aldravia, por si só, não denunciar a sua proposição.

4- nomes próprios duplos (com ou sem ligação por hífen), cuja divisão resulta em outro nome (Di Cavalcanti, Van Gogh), podem ser considerados um único vocábulo;

5- nomes e formas pronominais ligadas por hífen podem ser considerados vocábulos únicos;

6- sugerir mais do que tentar escrever todo o conteúdo. Incompletude é provocação aldrávica.

7- privilegiar a metonímia, evitando-se a metáfora.

Aldravias vivenciadas pelos seus criadores

aldravias
buscam
continentes
em
longínquas
porções
*Andreia Donadon Leal

aldravia
meu
verso
universo
em
poesia
*Gabriel Bicalho

morangos
passeiam
sob
blusa
de
algodão
*J. B. Donadon-Leal

trovões
riscam
céu:
chuva
de
palavrões
*JS Ferreira

Observação:Antes de criar aldravias, estudar o que seja metonímia.

METONÍMIA
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz

As figuras de palavras, também chamadas de tropos ou figuras de semântica, oferecem ao discurso sentido diferente daquele tradicionalmente empregado e as palavras assumem, dessa forma, um sentido figurado no contexto ao qual são integradas. A finalidade é imprimir um efeito mais expressivo na comunicação, que impressione e encante o ouvinte ou o leitor. As figuras de palavra são muito utilizadas em textos poéticos, pois permitem criatividade na interpretação. Nessa seara, destacam-se as METONÍMIAS, objeto do presente estudo.

O que é uma metonímia?

Proveniente da palavra grega metonymia (“além do nome”, “mudança de nome”), a metonímia ou transnominação consiste em empregar um termo no lugar de outro, havendo entre ambos estreita afinidade ou relação de sentido. Segundo o Dicionário Digital Aulete, trata-se de: “Figura de linguagem baseada no uso de um nome no lugar de outro, pelo emprego da parte pelo todo, do efeito pela causa, do autor pela obra, do continente pelo conteúdo etc.” Pode-se, portanto, identificá-la em diversas situações do nosso diálogo, tanto na oralidade quanto na escrita.

A leitura imediata de uma metonímia revela-nos um incômodo. O leitor tentará resolvê-lo usando um algoritmo próprio para metonímias, cujos elementos são:

substituto
substituído (referente)

relação de contiguidade
decifração

Decifrar a metonímia significa alcançar o termo substituído - o referente - que atende à dupla condição de ocupar a posição do substituto e manter com este uma relação de contiguidade. A decifração depende do contexto e a este será pertinente.

Exemplo: Li Castro Alves
Substituto: Castro Alves
Relação de contiguidade: Castro Alves é poeta
Substituído: poemas de Castro Alves
Decifração: Li poemas de Castro Alves

Exemplos de metonímias e correspondentes Aldravias

*As Aldravias aqui apresentadas são criações de Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz


1 - Autor pela obra: "Gosto de ler Shakespeare todas as noites" (= Gosto de ler a obra literária de Shakespeare todas as noites).
Exemplo:

Aldravia 109

Shakespeare
adormece
comigo
toda
noite -
poesia!


2 - Inventor pelo invento: "Edson ilumina o mundo" (= As lâmpadas iluminam o mundo).
Exemplo:

Aldravia 106

Edson
ilumina
olhar
da
humanidade


3 - Símbolo pelo objeto simbolizado: "Abomino a cruz" (= Abomino o sofrimento).
Exemplo:

Aldravia 7

ignoro
ignóbil
cruz -
cobiço
outro
Éden


4 - Lugar pelo produto do lugar: "Quero degustar um Porto com emoção" (= Quero degustar um vinho produzido na cidade do Porto, Portugal, com emoção).
Exemplo:

Aldravia 107

Porto
degustado
n’emoção
aquece
coração
solitário


5 - Produto pelo lugar do produto: "Fumou um havana no nascimento do filho" (= Fumou um charuto, produzido em Havana, Cuba, no nascimento do filho).
Exemplo:

Aldravia 108

havana
festeja
nascimento -
espirais
ao
vento


6 - Efeito pela causa: "Sócrates bebeu a morte" (= Sócrates bebeu veneno).
Exemplo:

Aldravia 109

qual
Sócrates
bebo
morte -
teus
lábios!


7 - Causa pelo efeito: "Moro no campo e como do meu trabalho" (= Moro no campo e como o alimento que produzo).
Exemplo:

Aldravia 128

comer
próprio
trabalho
requer
saber
campesino


8 - Continente pelo conteúdo: "Bebeu o frasco inteiro" (= Bebeu todo o líquido que estava no frasco).
Exemplo:

Aldravia 111

bebo
frasco
inteiro
do
teu
gozo


9 - Conteúdo pelo continente: "Bebi dois cafezinhos" (= Bebi duas xícaras de cafezinho).
Exemplo:

Aldravia 112

bebi
dois
cafezinhos -
salivo
teu
gosto!


10 - Matéria pelo objeto: "Existem diamantes negros no teu rosto" (= Existem olhos negros no teu rosto).
Exemplo:

Aldravia 113

diamantes
negros
enfeitam
rosto
sonhador
- brilham!


11 - Instrumento pela pessoa que utiliza: "Os flashes corriam atrás da celebridade" (= Os fotógrafos corriam atrás da celebridade).
Exemplo:

Aldravia 114

flashes
ansiosos
perseguem
meus
olhos -
fujo!


12 - Parte pelo todo: "Vários rostos ilustram o outdoor" (= Várias pessoas ilustram o outdoor).
Exemplo:

Aldravia 115

rostos
vazios
ilustram
outdoor -
ilusão
passageira!


13 - Gênero pela espécie: "Nós, os mortais, somos capazes de imortalizar sonhos" (= Nós, os seres humanos, somos capazes de imortalizar sonhos).
Exemplo:

Aldravia 116

somente
mortais
imortalizam
sonhos


14 - Singular pelo plural: "O brasileiro foi chamado à luta contra a corrupção" (= Os brasileiros foram chamados, não apenas um brasileiro).
Exemplo:

Aldravia 117

brasileiro
responde
pleito
afamado -
fora
corrupção!


15 - Marca pelo produto: "Uma delícia dirigir minha Mercedes Benz!" (= Uma delícia dirigir meu carro da marca Mercedes Benz!).
Exemplo:

Aldravia 118

cavalgo
minha
Mercedes
Benz
negra
delícia!


16 - Espécie pelo indivíduo: "Heróis brasileiros morrem na Segunda Guerra Mundial" (= combatentes brasileiros morrem na Segunda Guerra Mundial).
Exemplo:

Aldravia 129

heróis
brasileiros
tombam
na
Itália
imortais


17 - Indivíduo pela espécie: "O futebol brasileiro ressente a falta de novos pelés" (O futebol brasileiro ressente a falta de novos craques).
Exemplo:

Aldravia 127

futebol
brasileiro
amarga
ausência
de
pelés


18 - Símbolo pela coisa simbolizada: "A balança penderá para o lado da verdade" (= A justiça penderá para o lado da verdade).
Exemplo:

Aldravia 120

enfim
balança
balouça
ética -
reconhece
verdade!


19 - Concreto pelo abstrato ou vice-versa: "Meu pai é papo cabeça" (= Meu pai é inteligente).
Exemplo:

Aldravia 121

num
papo
cabeça
papai
cabeceia
estupidez


20 - Indivíduo pela classe: "Escolheram-me para cristo" (= Escolheram-me para ser sacrificado).
Exemplo:

Aldravia 122

agora
sou
cristo -
fujo
da
cruz?


21 - Classe pelo indivíduo: "Depois desse resultado, não mais acredito no Juizado brasileiro” (= Depois desse resultado, não mais acredito nos juízes brasileiros).
Exemplo:

Aldravia 123

corrupção
desafia
Juizado
brasileiro -
perigo
constante


Referências

ABREU, Antônio Suárez. Gramática mínima. Cotia: Ateliê, 2003.
CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Literatura brasileira em diálogo com outras literaturas. 3. ed. São Paulo: Atual Editora, 2005.
CUNHA, Celso, CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
DONADON-LEAL, Andreia; BICALHO, Gabriel; DONADON-LEAL, J. B.; FERREIRA, J. S. ABC das aldravias. Recanto das Letras, São Paulo. Disponível em: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/3841415. Acesso em: 14 jun. 2016.
 MANOSSO, Radamés. Metonímia. Palavras sobre palavras, [s.l.]. Disponível em: http://radames.manosso.nom.br/linguagem/retorica/recursos-retorica/metonimia. Acesso em: 15 jun. 2016.
PERINI, M. A. Gramática descritiva do português. 4. ed. São Paulo: Ática, 2006.
PIRES, Orlando. Manual de teoria e técnica literária. Rio de Janeiro: Presença, 1981.
SAVIOLI, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 32. ed. São Paulo: Ática, 2000.
TUFANO, Douglas. Estudos de língua portuguesa: minigramática. São Paulo: Moderna, 2007.
VERBETE. Metonímia. Dicionário Aulete Digital. Disponível em: http://www.aulete.com.br/metonimia. Acesso em: 14 jun. 2016.