segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tanka

Tanka


Noções conceituais

Sob o aspecto literal, Tanka significa poema curto (tan - curto, breve; e ka - poema ou música). Constitui-se em estilo clássico, dos mais belos e sensíveis, de poesia japonesa. Além de ser uma forma popular de poema de amor, ao longo de séculos foi veículo para expressar interdependência com a natureza.

Apresentação formal TANKA

1 Quanto à estrutura dos versos

Formado por 31 sílabas poéticas, trata-se de um poema de cinco versos: 5-7-5-7-7 e divide-se em duas estrofes.

A primeira estrofe, denominada de kami no ku ("primeiro verso"), será um terceto, cujos versos serão formados por 5-7-5 sílabas poéticas.
Contém sempre uma referência à estação do ano (kigo) e ao lugar onde se realizou a sessão; deve ser sintaticamente completa, independente da estrofe seguinte. 

A segunda estrofe, denominada de shimo no ku ("último verso"), será um dístico, cujos versos serão formados por 7-7 sílabas poéticas.


O dístico não deve ser separado do terceto por espacejamento maior daquele utilizado entrelinhas, mas tão somente será distinguido por um recuo, a partir da margem esquerda, maior do que o empregado para o terceto.

2 Quanto às rimas

Forma tradicional: sem rima.
Forma da língua portuguesa: com rima ABA BB.

Origem no mundo

A mais antiga coletânea da poesia TANKA, na época chamada de "Waka" (poesia do Japão), foi compilada no século VII (743-759), sob a denominação "Manyoshu". Compõem-se de 20 volumes, 4516 poemas, escritos por mais de 400 praticantes, do imperador ao simples camponês. Até hoje a família imperial realiza no início do ano uma reunião cerimoniosa onde o imperador, a imperatriz, os príncipes e as princesas apresentam seus TANKA. Trata-se do "Shinen-uta-kai-hajime". A participação popular ocorre através dos TANKA enviados pelo povo, criados a partir de tema sugerido pelo imperador. Deve-se ressaltar que o "Kimiga-yo", Hino Nacional do Japão, é um TANKA escrito por tankista anônimo que consta na coletânea Kokinshu, compilada no século X (905).

Origem no Brasil

O TANKA surge no Brasil, pela primeira vez, com Teijiro Suzuki (pseudônimo Nanju), um dos primeiros imigrantes japoneses. Por outro lado, quem o implantou e divulgou na colônia japonesa foi Kikuji Iwanami.

Do tanka para a renga

A RENGA consiste num encadeamento de TANKA realizado por um grupo de autores, versando sobre um mesmo tema. O sistema de produção chama-se kyōdō seisaku. A RENGA mantém-se profundamente arraigada à tradição japonesa.



Tankas da minha autoria


tanka I 
do véspero à aurora
nestes impudicos sonhos
descubro meu corpo...
             em estrutural pecado
             faço-me lua e sou tua - nua!


tanka II
 

no meio do jardim
um galho verde se esgueira
e expõe flor carmim...
          fascina-se, o beija-flor...
          e beija e beija a tal flor!

tanka III  
armas destruídas
luz através da janela
vidas sem ruínas...
          sonho de um mundo melhor

          canto de amor e de paz!


Texto elaborado em 2009.
Ampliado em 16 de julho de 2011 – 3h26
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz

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