segunda-feira, 2 de julho de 2012

Meu poema palíndromo

 
 
Poema palíndromo

O retrato é de Su Hui, talentosa acadêmica e poetisa do século IV que tinha o nome de cortesia de Ruolan ("como uma orquídea"). É famosa por um poema palíndromo que bordou em várias cores de seda para expressar seu amor pelo marido, exilado para um ponto distante nas rotas comerciais da Ásia Central. Existem diferentes versões do poema. Uma delas tem 112 caracteres dispostos em oito grupos de 14 caracteres. Não fazem o menor sentido, a menos que o leitor comece pelo caractere "marido" na primeira linha e, em seguida, continue a ler no sentido diagonal descendente para a direita. Forma-se um verso perfeito de sete sílabas quando o leitor atinge a borda do desenho. Descendo um caractere no canto direito inferior do desenho, o leitor deve continuar na direção diagonal ascendente para a esquerda, a fim de obter o verso correspondente ao par. O leitor continua de forma semelhante até que o poema de 16 versos resultante termine na esperança de que o imperador permitirá que o marido da autora regresse e alivie sua solidão. Uma outra versão desta obra tem 841 caracteres. A imperatriz Tang, Wu Zetian, relatou ter encontrado mais de 200 poemas nesse padrão. Um homem do século XVIII, que deve ter dedicado bastante tempo ao enigma, alegou haver descoberto 9.958 poemas na obra (Fonte: Adaptação da BDM).

O poema original em chinês, reconstruído por Michèle Métail.





Meu poema palíndromo


A partir do que li sobre os poemas palíndromos criei duas estrofes de oito versos de quatro sílabas poéticas cada um. Cada verso deve ser lido duas vezes: no sentido normal e de trás para frente. O leitor encontrará o mesmo significado ou significado diverso. Quando lido ao sentido contrário pode-se unir duas ou mais palavras e considerar ou não a acentuação do modo normal. Cada leitor poderá ler o poema de forma diferente.


até o poeta ama a diva

a diva amada...
amada diva
amora e aroma
a dama é ávida
a dama é amada
a diva dama
amora e aroma
amora... ama

até o poeta ama
a diva amada
a dama acata
o danado ó
ataca a dama
ávido ó diva
aroma e amora
aroma... ama



Rio de Janeiro, 14 de junho de 2010 – 3h39

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